Neste sábado, 18 de outubro, o Fortaleza Esporte Clube completa nove décadas de existência. Há exatos 90 anos, Alcides Santos (maior desportista cearense do início do século) fundava, juntamente com amigos, o Fortaleza Sporting Club, que algum tempo depois aportuguesaria o nome para Esporte Clube.
Os jornais da capital cearense, Diário do Nordeste e O Povo, lançaram especiais comemorativos para a data. Para conferir tudo, clique aqui (DN) e aqui (OP).
Pensei bastante no que escrever nesta data. Poderia falar do último título conquistado, o Estadual de 2008 (37º Campeonato Cearense ganho pelo clube), ou dos acessos conseguidos nos últimos anos, mas resolvi contar uma história já com 80 anos, o primeiro tricampeonato do clube, conquistado em 1926, 1927 e 1928.
A conquista de 1926 veio com duas rodadas de antecipação, tamanha a superioridade do escrete tricolor. A campanha se deu de forma irrepreensível, com grandes goleadas durante a competição. Dentre elas, 6 a 2 no Ceará, 6 a 1 no Maranguape, 9 a 1 no Cutuba e 7 a 1 no Guarany, que acabou vice-campeão. Os destaques da equipe no campeonato foram Juracy, Humberto Ribeiro e Artur Oliveira, artilheiro com 11 gols marcados.

O bicampeonato veio numa competição bastante conturbada, marcada por erros de arbitragem (os juízes eram jogadores de outras equipes) e pelo não comparecimento de alguns jogadores aos jogos. Para termos uma idéia, o Fortaleza estreou com apenas 10 em campo, goleando o Guarany por 5 a 0, com o adversário jogando apenas com oito.
Mais uma vez, a competição foi marcada por goleadas tricolores. Além da já citada, houve os 9 a 2 no Brasil (que nasceu naquele ano, a partir da extinção do Cutuba), 7 a 3 novamente no Guarany e 7 a 0 no América. A grande vitória do ano, foi, no entanto, diante do Ceará, no que foi chamado de “massacre de 27″. A goleada por 8 a 0 no alvinegro é, até hoje, o placar mais elástico já registrado em Clássicos-Rei. Naquela partida, marcaram Hildebrando (3), Pirão (2), Xixico, Juracy e Humberto, artilheiro do certame com nove gols).
O Fluminense foi o único time a não perder para o Fortaleza no ano, ficando com o vice-campeonato. Ainda em 1927, houve também uma goleada por 7 a 0 no Náutico, de Recife, em amistoso, algo bastante comum na época.

O certame de 1928 foi conturbado, com várias equipes abandonando a competição. No entanto, o tricolor manteve seu mar de rosas, conseguindo seu primeiro tricampeonato de forma invicta. Durante o torneio, novamente alguns placares dilatados em favor do Fortaleza, 6 a 0 no Fluminense, 9 a 1 no Guarany e 5 a 1 no Ceará.
Humberto Ribeiro foi artilheiro do campeonato com 12 gols e é considerado um dos grandes centroavantes da história do futebol cearense. Destacavam-se ainda na equipe do tri o trio Pirão, Caranã e Rolinha.
A final foi disputada entre Fortaleza e Maguary, em 26 de agosto. Muitos torcedores compareceram ao Campo do Alagadiço para acompanhar a partida. O leonino Calixto marcou impiedosamente Soares, principal jogador cintanegrino. O tricolor, que jogava pelo empate, acabou vencendo por 2 a 0, gols de Humberto Ribeiro e Petter.
Bem, este foi apenas um capítulo da gloriosa história do tricolor cearense. Independente do momento em que o clube vive na atualidade, a data é de regozijo para os desportistas cearenses, em especial para os torcedores leoninos. Parabéns Leão!
Fontes de pesquisa:
- “Fortaleza: História, Tradição e Glória”, de Airton e Vagner de Farias;
- “História do Campeonato Cearense de Futebol”, de Nirez de Azevedo.