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por Marcelo Bloc
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Futebol (Cearense) de Antigamente #7

setembro 14, 2008 By: Marcelo Bloc Category: Futebol cearense, História

Expulso de campo sem jogar*

No Gentilândia**, atuava um jogador conhecido como Gafieira, famoso pelo jogo brusco, pois sempre estava sendo expulso, enfim, era muito trabalhoso em campo. Naquele tempo o juiz, antes de tirar o “toss”, reunia todos os jogadores no centro do campo, numa rodinha, todos ouvindo a preleção.

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E ao terminar, o Tosta*** disse: “Ouviu, seu Gafieira, qualquer coisa, vai tomar banho mais cedo!”. E o Gafieira imediatamente retrucou: “Gafieira não, me respeite, meu nome é José Maurício de Queiroz”. E o Tosta, incontinente, de dedo em riste… “Está expulso!”. E o Gentilândia jogou com apenas 10 jogadores. É verdade!

* Retirado do livro ‘Futebol Cearense: retalhos históricos’ (2007), de autoria de Alfredo Sampaio.
** Gentilândia Atlético Clube, fundado em 1º de janeiro de 1934, disputou seu primeiro Campeonato Cearense em 1934 e seu último em 1965. Inicialmente utilizava as cores azul e branco, depois passou a ser rubro-negro (dados de “História do Futebol Cearense” [2002], de Nirez de Azevedo).
***José Tosta

Futebol (Cearense) de Antigamente #6

agosto 17, 2008 By: Marcelo Bloc Category: Ceará, FCF, Futebol cearense, História

Federação X Ceará
por Alfredo Sampaio*

Em 1944 estourou uma grave crise no futebol cearense. O Ceará, sentindo-se prejudicado com algumas medidas tomadas pela F.C.D., em sinal de rebeldia, resolveu licenciar-se, afastando-se das disputas já no final do 2º turno.

Dizem alguns alvinegros que o então Diretor de Esportes, Capitão João de Moura Dias, era torcedor do Maguary, campeão de 1943, e que marchava para o bicampeonato. Achava o Ceará que o Maguary era o beneficiado em tudo.

O mais ferrenho inimigo da Federação era o saudoso desportista Edelberto Goés Ferreira, proprietário do famoso Café Globo, que representava o seu clube junto à mentora.

A diretoria alvinegra não atendeu aos apelos de ninguém e até a crônica esportiva procurou resolver o impasse, mas tudo em vão. O quadro de profissionais foi dissolvido e seus melhores craques do momento, Hermenegildo e Mitotônio, foram emprestados ao Náutico Capibaribe, em 1945.

A crise engrossou mais no final do ano, quando a F.C.D. resolveu suspender o Ceará por um ano, considerando que aquela lincença abrupta, em meio ao certame de 44, fora um gesto de indisciplina.

Assim o clube de Porangabussu ficou fora também do campeonato de 45, desta vez suspenso. Sem o Ceará, dois anos fora das competições oficiais, o nosso futebol entrou em crise, as rendas caíram, pois se increveram para o certame de 45, Maguary, Fortaleza, Ferroviário e dois clubes pequenos: Luso e Flamengo. Além disto, o Maguary já dava sinais de declínio, pois já entrou com um quadro mesclado, tendo dispensado seus principais profissionais, como Louro, Pedro, Galego e Ubaldo. É que o “Clube dos Príncipes”, a partir daquele ano, deu prioridade à construção de sua sede, na Rua Barão do Rio Branco.

Além do mais, parte dos jogos de 1945 era realizado no Estádio Américo Picanço, na ainda “longínqua” Aldeota, e de propriedade do América, pois o PV estava em obras, só reabrindo seus portões para as finais do certame que acabou nas mãos do Ferroviário.

Finalmente, oficializando-se a licença do Maguary no fim de 1945, o Ceará resolveu voltar ao seio da Federação para disputar o nosso campeonato a partir de 1946 e voltou a reinar a paz neste pequeno futebol, cheio de crises e mazelas.

Diga-se, de passagem, que durante a suspensão, o Ceará quando fazia algum amistoso em seu campo, usava o nome de Dragão de Parangabussu.

Comentários (por Marcelo Bloc):
- Clube cearense sentindo-se perseguido pela federação? Até hoje é assim;
- Também em 1944, o Penarol abandonou a competição faltando apenas um jogo para o final do primeiro turno, sendo suspenso por 1 ano;
- O bicampeonato dos cintanegrinos (como eram chamados os torcedores do Maguary, devido a grossa listra preta horizontal no uniforme) foi facilitado com a saída do Ceará, clube que estava mais próximo da equipe na classificação. O Fortaleza então, acabou por herdar o vice;
- O título do Maguary foi invicto e arrastão em 44, metendo 8×0 no Penarol, 6×1 no Fortaleza, 7×1 no Ferroviário e 6×4 no Ceará. O fechamento do seu quadro de futebol, ao final de 1945, foi um duro golpe para o futebol cearense;
- O campeonato cearense de 1945 foi o único a não contar com a participação do Ceará Sporting Club.

* Texto retirado da obra “Futebol Cearense, retalhos históricos” (2007), de Alfredo Sampaio.

Futebol (Cearense) de Antigamente #5

agosto 10, 2008 By: Marcelo Bloc Category: Fortaleza, Futebol cearense, História

E o Fortaleza fechou as portas

É verdade. O Tricolor já “fechou” uma vez. Foi em 1929, já no fim do returno do Estadual daquele ano. Há fontes que atribuem o fato a uma “grande crise entre a diretoria e os jogadores”, enquanto outros afirmam que o clube encerrou suas atitividades esportivas “achando-se prejudicado financeiramente”.

O fato é que o Leão era o então tricampeão cearense e reinava absoluto como líder da competição, seguindo a passos largos para o tetra, até hoje não conquistado pelo clube. A notícia da saída do Fortaleza, ocorrida em 6 de agosto (há exatos 79 anos, completados essa semana), gerou muitos problemas na época, a chamada era do amadorismo (nesse ponto, não mudou muito o futebol local).
Arte de Ronaldo Pinto

Arte do amigo Ronaldo Pinto

Arte do amigo Ronaldo Pinto

Liderados pelos irmãos Machado, Moacir, Caranã, Jandir e Juraci, todos os jogadores do Tricolor uniram-se e fundaram om Orion FC, que se tornou uma espécie de dissidência tricolor. Com tantos bons jogadores, em 1930 o clube venceu o torneio início e o campeonato cearense.

Já o Fortaleza permaneceu “morto” por três anos, só voltando a disputar o Cearense em 1933, quando retornou à Federação e contou inclusive com o retorno dos “desertores”. Quem se aproveitou desta mancha na história do Leão foi o Ceará, campeão em 31 e 32.

Como o Ferroviário ainda não existia, Ceará e Maguary reinaram absolutos, rodeados de clubes pequenos. A Associação Desportiva Cearense (ADC) vivia rodeada de polêmicas (como já mostramos em outras ocasiões). Em 31, foi o Orion quem brigou com a entidade, que não quis adiar um jogo contra o Ceará, conforme fora solicitado. O clube recusou-se a entrar em campo. Crise geral, piorada quando a imprensa, tomando partido do “clube estrelado”, rompeu com a ADC e resolveu não mais noticiar os jogos finais do torneio. Em 1932, Orion e Progresso deixaram o Estadual pela metade, decidindo abandonar de vez a ADC. Que situação!

E o Fortaleza? Como todos sabem, após ressurgir, continuou seu caminho altos e baixos, como acontece até hoje. Não deixou, porém, de conquistar títulos, já tendo no currículo 37 Campeonatos Cearenses.

Fonte de pesquisa:
- História do Campeonato Cearense de Futebol (2002), de Nirez de Azevedo;
- Futebol Cearense, retalhos históricos (2007), de Alfredo Sampaio.