Antes de mais nada, obviamente não me refiro no título deste post, às nove décadas do Fortaleza Esporte Clube, com tantos títulos conquistados. Falo sim desse período atual, onde o clube acaba de completar 90 anos, estando às vésperas de retornar à terceira divisão.
O pesadelo da década passada nunca esteve tão próximo de retornar. Após o empate diante da Ponte Preta, os tricolores apostavam tudo nas duas partidas em casa, diante do lanterna CRB e do ameaçado Marília. O que deveriam ser seis pontos, acabaram transformando-se em apenas um.

A situação ficou caótica. O treinador já demostrou não confiar no elenco, tanto que trocou mais de meio time diante do MAC e nada funcionou.
Vontade até que os jogadores têm mostrado, mas falta qualidade, falta organização tática, falta comando. Culpa do treinador? Sim. Dos jogadores? Sim. Da diretoria? Sim. Da diretoria anterior, que comandou a equipe por boa parte do ano? Sim. Todo mundo tem sua parcela de culpa.
E de quem não é a culpa? Do torcedor, é claro. Loucos são os que acusam a torcida de ser culpada, por não comparecer em grande número aos jogos, não prostestar, não ajudar mais, ou qualquer que seja o argumento. Ora, torcedor não é bobo. Ir ao Castelão não é fácil, o acesso é ruim, a volta pior ainda. A bebida, que servia como forma de relaxar e esquecer dos problemas do dia-a-dia, já não é mais vendida. Para piorar, o clube há tempos parece ter perdido o fio da meada com sua torcida, afastando-se dela, não mais cultivando a proximidade de antes, que fazia com que os torcedores estevessem sempre presentes, mesmo nos piores momentos. Falta transparência, e competência.
Tudo isso é motivo do afastamento do torcedor, além das transmissões de TV, é claro. No entanto, o principal motivo é que ninguém quer sair de casa, gastar dinheiro, e ver uma equipe fraca, que não merece confiança. A torcida tricolor sempre foi exigente e, em 2008, não viu um time que confiasse em momento algum.
No estadual, o bicampeonato veio, mas às duras penas. Mesmo com o Ceará se arrastando e montando um elenco durante a competição, o Fortaleza precisou de duas decisões por pênaltis para eliminar o Horizonte nas semifinais dos dois turnos. Com muita dificuldade, bateu também o Icasa, clube com investimento infinitamente inferior ao do tricolor.
Na Série B, de cara a equipe mostrou aos que acreditavam no acesso, que houvera chegado tão próximo no ano anterior, que este sonho ficaria adiado. A realidade é bem diferente. Hoje, escapar da Série C, já seria um grande feito. Em campo, um time que mais lembra as “buchadas” da década de 90, que faziam feio até na terceirona.
Restam cinco jogos, três fora de casa. A matemática diz que a equipe precisa de, pelo menos, três vitórias. Precisasse de uma, já seria difícil. Com uma equipe esfacelada, o tricolor do Pici rasteja para tentar sair do buraco. Conseguirá? Só quando a bola rolar que descobriremos. E que a bola role.