Um TRI em três minutos

O ano era 1963. Bicampeão em 61-62, o Ceará lutava pelo seu primeiro tricampeonato. Do outro lado, o Ferroviário, com apenas três títulos até então. No entanto, naquele dia 1º de dezembro, os corais jogavam pelo empate para conquistar o turno e impedir o título alvinegro. O palco era o estádio Presidente Vargas, que naquele ano tivera sua capacidade ampliada de 12 para 40 mil lugares.
O Ceará tinha um time formado desde o ano anterior, com seus torcedores sabendo “de cor” a escalação. Já o Tricolor da Barra havia reforçado a equipe, trazendo jogadores de fora do Estado.
O Vovô parecia que confirmaria o favoritismo, marcando com Marco Aurélio logo aos 13 minutos de partida. A alegria durou pouco. Aos 16, Edilson Araújo empatou numa penalidade e a primeira etapa terminou assim.
Na volta, o Ceará pressionava, tentando garantir o título arrastão (já que havia vencido os dois primeiros turnos) e o inédito tricampeonato. Porém, aos 30 minutos, Milton “Bailarino” marcou para o Peixe. O Ferrim estava com a mão na taça, já que vencia o jogo e jogava pelo empate.
Os Corais já comemoravam quando Gildo cabeceou para empatar a partida, já aos 42 minutos. Dramacidade pura. Alvinegros pressionando, Corais tentando segurar o resultado. Aos 44, no entanto, Lucena marcou o gol do título para o Ceará, que se sagrava tricampeão cearense 1961/62/63. Festa da torcida alvinegra e perplexão entre os corais, que se mantiveram estáticos, sem acreditar na derrota.
Surgiram boatos que alguns jogadores novatos do Ferroviário teriam facilitado a vitória adversária. Nada foi provado, mas dias depois o clube dispensou Ribamar, Nelson e Clóvis. É possível que os dirigentes corais tenham cometido injustiça com os três.
Ficha técnica
Decisão do Campeonato Cearense de 1963
1º de dezembro de 1963
Local: Estádio Presidente Vargas
Ceará 3 x 2 Ferroviário
Renda: Cr$ 2.454.46 0,00
Público: não divulgado
Arbitragem: Lourálber Aurélio, auxiliado por Fernando Andrade e João Carlos Smith.
Gols: Marco Aurélio, Gildo e Lucena para o Ceará; Edilson (pênalti) e Milton para o Ferroviário.
Times
Ferroviário: Ribamar, Pedrinho e Nelson; Zezinho, Gavillan e Clóvis; Macrino, Wellington Milton, Oliveira e Edilson.
Ceará: Aloísio Linhares, William e Alexandre; Zé Geraldo, Benício e Mauro; Carlito, Charuto, Gildo, Lucena e Marco Aurélio.
*Imagem= Escudo do Ceará usado de 1955 até 1969.
*Gildo foi o artilheiro da competição com 16 gols marcados.
* Fontes de pesquisa: livro “Futebol Cearense: retalhos históricos”, publicado em 2007 e de autoria de Alfredo Sampaio e “História do Campeonato Cearense de Futebol”, de Nirez de Azevedo, publicado em 2002.





