Por eu ter criticado algumas atitudes do atacante do Ceará, Luiz Carlos, um amigo, torcedor do alvinegro, perguntou-me se eu tinha algo pessoal contra o jogador. Respondi, obviamente, que não. O meu problema com ele é o mesmo que teria com qualquer jogador que, na posição que ele ocupa (de ídolo do torcedor), usasse seu prestígio para fazer média com o torcedor incitando a violência contra a torcida rival. Já o elogiei aqui, falando da força do ataque alvinegro.
Porém, ao meu ver, ‘metralhar’ o rival nunca será uma comemoração saudável. Mas o Clodoaldo não fazia? Fazia errado da mesma forma. Seja Luiz Carlos, Clodoaldo ou Cristiano Ronaldo, é necessário pensar que futebol é alegria e, nos tempos de hoje, onde tanta gente confunde um torcedor do time rival com um inimigo, ações deste tipo são desnecessárias e reprováveis.
Lembro do tempo em que eu ia ao Castelão e ouvia provocações muito mais “ingênuas”. Enquanto a torcida do Ceará gritava “Vovô, Vovô”, a do Fortaleza rebatei com “Pode ir, pode ir”. Da mesma forma, quando os tricolores cantavam “Leão, Leão”, tinham que ouvir os gritos de “Miau, Miau” do outro lado.
Hoje, ir ao estádio é estar preparado para ouvir xingamentos idiotas e sem sentido, torcidas que buscam muito mais xingar o adversário do que exaltar seu amor ao clube. Isto tem diminuído, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, com gritos belíssimos de exaltação. Aqui no Estado, já há um pouco disto, principalmente com adaptações das músicas dos clubes do Sudeste, mas ainda está longe do ideal.
Futebol é paixão. É rivalidade também, mas esta pode muito bem ser feita com bom humor, como pôde ser conferido no sábado.
Os tricolores não esquecem a declaração feita há alguns anos pelo então lateral alvinegro Arlindo Maracanã, ao jornal O Povo, dizendo que não agüentava mais comer arroz com ovo na concentração da equipe. Daí o mote para chamarem os rivais de “come-ovo”. Alvinegros sofreram com músicas e muitas caixas de ovos levadas pela torcida rival nos Clássicos-Rei da época.
Há alguns dias, pouco antes de renunciar, Marcello Desidério, então presidente do Fortaleza, disse que a situação financeira do clube estava mal e, num raro momento onde alguém da diretoria leonina falou abertamente dos problemas do clube, disse estar “vendendo o almoço para comprar o jantar”. A repercussão não poderia ter sido pior. Tricolores irritararam-se com a declaração do mandatário e alvinegros fizeram disso o mote para a revanche. No sábado, muitas quentinhas gigantes e provocações do lado alvinegro. Já prevendo o que ocorreria, os tricolores trataram de resgatar suas já quase esquecidas caixas de ovos para rebaterem a torcida rival (as fotos são do fotógrafo do Diário do Nordeste, Fábio Lima). Um exemplo de rivalidade que partiu para o lado da criatividade. Ah se fosse sempre assim.





